Andes
Origen

Notas parciais
- Aparência3.5
- Aroma3.0
- Sabor3.3
- Amargor3.0
Sobre o rótulo
A Andes nasce em 1921, na cidade de Godoy Cruz, em Mendoza, com o nome original Cervecería y Maltería de los Andes. Quem funda a casa é o imigrante alemão Otto Bemberg — o mesmo fundador da Quilmes, cervejaria que ele havia criado décadas antes. O elo entre as duas marcas, portanto, não começa na prateleira atual: começa no mesmo industrial.
O nome é uma homenagem à Cordilheira dos Andes, que domina a paisagem da região. Na fundação, a cervejaria recebeu do governo provincial um benefício de dois anos de isenção fiscal, condicionado ao uso de matéria-prima local. Era um incentivo real ao desenvolvimento industrial de Mendoza na época, amarrado ao que a província produzia, não a um discurso posterior de origem.
Em 1967, a empresa fundiu-se com a Cervecería del Norte Argentino. Hoje o rótulo é produzido pela Quilmes, no grupo AB InBev, e segue associado a Mendoza — mais famosa no Brasil pelo vinho Malbec do que pela cerveja. Continua sendo rótulo de prateleira popular argentina, na mesma família de consumo da marca-mãe.
A marca foi relançada nacionalmente em 2018/2019 como Andes Origen. O portfólio atual tem três variedades reais: Rubia (loira), Negra e Roja (âmbar). As três são infusionadas em madeira de bordo (arce), uma técnica pouco comum numa lager de grande escala.
Uma homenagem gastronômica a Mendoza
A Andes Origen foi pensada para harmonizar com massas, carnes vermelhas, queijos e sobremesas. A lista não é genérica de “acompanha petisco”: reforça a identidade gastronômica de Mendoza, a mesma região que o Brasil conhece primeiro pelo Malbec. A cordilheira entra no nome; a mesa mendocina entra na proposta de consumo. A cerveja tenta ocupar esse lado da comida, ao lado de uma reputação construída pelo vinho.
Ficha técnica
- Estilo: pale lager leve
- Linha atual: Andes Origen — Rubia, Negra e Roja, infusionadas em madeira de bordo
- Perfil da lager clara: levemente lupulada, refrescante quando bem gelada
Aparência, aroma e sabor
Dourada clara, aroma discreto, sabor leve — perfil bem próximo ao da Quilmes Cristal, sem grande diferenciação técnica no copo. A história de Godoy Cruz, a isenção fiscal presa à matéria-prima local e a infusão em bordo explicam de onde a marca quer tirar assinatura. O sensorial da versão clara continua o de uma lager de volume, parente direta da Quilmes.
Harmonização e veredito
A proposta declarada da linha aponta massas, carnes vermelhas, queijos e sobremesas — o cardápio que amarra o rótulo a Mendoza. No uso cotidiano, segue em ocasiões casuais e consumo de volume. Nota 3,2: cerveja popular competente, mas sem assinatura própria forte frente à marca-mãe.




