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Catharina Sour

Dados técnicos
- Origem
- Santa Catarina, Brasil — criada por cervejeiros caseiros entre 2015 e 2016
- ABV médio
- 4% - 5,5%
- IBU
- 2 - 8
- Cor
- Clara, podendo ficar turva dependendo da fruta usada
Harmonizações
- Sobremesas leves
- Queijos frescos
- Saladas de frutas
- Ceviche
- Petiscos leves de verão
O primeiro estilo de cerveja genuinamente brasileiro
Em 4 de julho de 2018, o Brasil viveu um momento inédito na sua história cervejeira: a Catharina Sour se tornou o primeiro estilo de cerveja criado no país a ser oficialmente reconhecido pelo BJCP (Beer Judge Certification Program), a mais importante organização de classificação de estilos do mundo. Em 2021, o estilo também foi incorporado ao guia da Brewers Association americana, consolidando o reconhecimento internacional.
Nascida entre cervejeiros caseiros catarinenses
A história começou entre 2015 e 2016, quando cervejeiros caseiros de Santa Catarina passaram a produzir uma bebida inspirada na Berliner Weisse alemã (ácida e leve), mas com um diferencial: adição obrigatória de fruta. Em 2016, a Associação Catarinense das Cervejas Artesanais (ACASC) organizou um workshop que reuniu mais de 20 cervejarias, formalizando os critérios técnicos do estilo — e, no mesmo ano, a Cervejaria Blumenau lançou a primeira edição engarrafada registrada do país. O nome Catharina é uma homenagem direta ao estado onde o estilo nasceu.
Perfil sensorial e receita técnica
Na aparência, é clara, podendo ficar turva conforme a fruta usada. O aroma e o sabor giram em torno de uma acidez assertiva vinda de bactérias lácticas, com a fruta (ou especiaria) como destaque sensorial principal. O amargor é praticamente imperceptível: IBU entre 2 e 8, uma das faixas mais baixas entre todos os estilos catalogados. O corpo é leve, com alta carbonatação e perfil muito refrescante.
A receita típica combina cerca de 50% de malte Pilsen e 50% de malte de trigo, com acidificação via lactobacilo e adição de fruta na etapa final da produção.
Reconhecimento internacional real
A Lohn Bier, de Lauro Müller (SC), venceu o World Beer Awards de Londres na categoria de cervejas frutadas com a versão de uva Goethe — reconhecimento mundial genuíno para um estilo que nasceu de brincadeira entre cervejeiros amadores poucos anos antes. Outros exemplos reais: Cervejaria Blumenau (pêssego e maracujá, esta premiada na categoria experimental do Concurso Brasileiro da Cerveja), Schornstein (cupuaçu) e Alles Blau (amora).
Por que isso importa pro Brasil cervejeiro
A Catharina Sour não é só mais um estilo — é prova de que o movimento cervejeiro artesanal brasileiro amadureceu ao ponto de criar e exportar cultura própria, não só reproduzir tradições europeias e americanas. É um símbolo de identidade nacional dentro de um universo historicamente dominado por escolas estrangeiras — as mesmas que já detalhamos nos artigos de cervejas alemãs, belgas, inglesas e irlandesas.
