Cerpa Export: a cerveja que dominou a Amazônia e quase sumiu

HistóriaPor Senna Ricarte e Fabio Soares
Pack com duas garrafas e uma garrafa avulsa de Cerpa Export 350 ml

Um alemão, a Baía do Guajará e uma aposta na água amazônica

Em 1966, o imigrante alemão Konrad Karl Seibel fundou a Cervejaria Paraense (Cerpa) em Belém, com a fábrica às margens da Baía do Guajará. A tese comercial era direta: Seibel enxergava na água da Amazônia condições ideais para produzir cerveja mesmo no clima tropical — somando isso às técnicas da tradição cervejeira europeia.

De cervejaria regional a dominadora do Pará

Por décadas, a Cerpa se consolidou como a cervejaria dominante no Pará. Em 2003, chegou a 65% de participação de mercado local — domínio raro para uma marca regional num país em que conglomerados nacionais controlavam a maior parte do volume. Além do Norte, a Cerpa ganhou adeptos no Sudeste entre quem buscava alternativa a Brahma e Antarctica, ainda décadas antes do movimento artesanal se estabelecer no Brasil.

A Cerpa Export e o apelido “Cerpinha”

A Cerpa Export é uma Premium American Lager com 5,3% de ABV, posicionada como o rótulo premium do portfólio. Ficou conhecida pelo apelido “Cerpinha”, sinal da proximidade com o público paraense — inclusive como patrocinadora histórica de Remo e Paysandu, com o logo estampado nas camisas dos clubes.

A inovação técnica de 1996

Em 1996, a Cerpa apresentou o processo “Draft Beer”, que substituía a pasteurização tradicional por filtros de celulose e descarga térmica — uma tentativa de diferenciação técnica, preservando mais características sensoriais da cerveja do que o caminho clássico de pasteurização.

A crise real: de 65% para 12% de participação

Depois do auge, a Cerpa enfrentou problemas de sucessão na família controladora e questões tributárias que abalaram a estabilidade financeira. Em março de 2013, a participação no Pará já havia caído para 12% — queda dramática frente aos 65% de uma década antes. A empresa chegou a acumular dívida fiscal reportada pela Procuradoria Geral do Estado em mais de R$ 230 milhões.

Reorganização e um capítulo recente inesperado

Nos últimos anos veio a reorganização: modernização da fábrica em 2015 (capacidade de 1 milhão de hectolitros por ano) e, em 2025, parceria inédita com a Coca-Cola Andina, que passou a produzir e distribuir a Cerpa pelo sistema de engarrafamento. É uma nova fase para uma marca de quase 60 anos, que ainda concentra cerca de 70% do volume de vendas na região Norte.

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